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Cinco rolos de filamento de cores diferentes em leque ao redor de uma peça decorativa impressa com vários tons. Imagem gerada por IA.
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Prusa ColorMix: dezenas de cores com só 5 filamentos

· 7 min de leitura · 1 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Atualizado

No dia 26 de maio, a Prusa soltou um truque que mexe direto na conta de quem imprime colorido: o ColorMix, gratuito e open-source sob licença MIT, transforma cinco rolos de filamento em cerca de 40 tons visíveis. Sem comprar bico novo, sem AMS extra, sem mais um rolo sequer. A ideia é simples e velha como a impressão de revista: misturar cor com pontinhos.

O que é o ColorMix e por que ele é de graça

Monitor numa bancada exibindo software fatiador 3D com paleta de cores vibrante e o preview de um modelo multicolorido em gradiente, com poucos rolos de filamento básicos ao lado, ilustrando mistura de cor no software. Imagem gerada por IA.

ColorMix é um modelo de mistura de cor que a Prusa embutiu no PrusaSlicer 2.9.6 (ainda em beta) e no software EasyPrint, com o código aberto no repositório prusa3d/prusa-fdm-mixer no GitHub. Não é uma impressora, não é um acessório. É matemática dentro do fatiador.

A ferramenta não nasceu na Prusa. A própria empresa credita a comunidade: o método de empilhar camadas coloridas começou no OrcaSlicer-FullSpectrum, de Radu "Ratdoux", com o filament-mixer de Justin H. Rahb pra prever o resultado. A Prusa pegou essa base, calibrou contra impressões reais e levou pro próprio ecossistema. A Bambu fez movimento parecido em abril de 2026.

A promessa que a própria Prusa cravou no anúncio é direta: "impressão multicolor em FDM deveria ser assim. Não num futuro distante. Agora." A proposta é parar de configurar razão de extrusora na mão e tratar cor como quem pinta: escolhe na paleta, confia no preview da tela.

Por ser MIT, qualquer fabricante ou desenvolvedor pode pegar o método e adaptar. O código vem em TypeScript e num port C++17 feito pra encaixar direto no PrusaSlicer ou no OrcaSlicer, então a chance de pingar na comunidade Bambu e no OrcaSlicer é concreta, não palpite.

Como cinco rolos viram dezenas de cores

O segredo é meio-tom (halftoning), a mesma técnica que uma revista usa pra reproduzir uma foto com só quatro tintas. Em vez de espalhar pontos coloridos no plano, o ColorMix empilha camadas de cores diferentes. A uma distância normal, seu olho funde as camadas e enxerga um tom intermediário que não existe em nenhum rolo.

A base é o conjunto CMYKW: ciano, magenta, amarelo, preto e branco. A maioria dos sistemas de quatro rolos trabalha só com CMYW, e o "preto" sai um cinza azulado sem graça. Foi por isso que a Prusa adicionou preto de verdade na XL de 5 cabeças. Alternando as cinco cores em proporções de camada de 1

, 1
e 3
(mais um 1:1
pra três cores), o sistema chega às tais ~40 combinações catalogadas como reproduzíveis, segundo o detalhamento técnico da Prusa.

Por que só essas razões? Porque camada é discreta. Um 50

é uma camada de cada, fácil. Já um 30
exigiria um bloco de dez camadas se repetindo, o que come resolução vertical e listra a peça. A Prusa mediu só o que o bico consegue mesmo produzir.

O pulo do gato é o modelo de previsão. A Prusa não chutou: partiu da equação de meio-tom de Yule-Nielsen, o padrão da indústria gráfica, e calibrou contra impressões de teste medidas na mesma sessão pra cancelar o erro de deriva do colorímetro. Por isso o preview na tela chega perto do que sai do bico, o calcanhar de aquiles dos fatiadores multicolor até agora, que prometiam uma cor e entregavam outra.

A Notebookcheck resumiu bem ao notar que agora "imprimir em várias cores é possível mesmo com equipamentos relativamente acessíveis, sem trocar filamento na mão".

Em quais impressoras isso roda

Impressora 3D multimaterial com unidade trocadora de múltiplos rolos carregada com cinco filamentos nas cores ciano, magenta, amarelo, preto e branco, com tubos guia alimentando a máquina. Imagem gerada por IA.

ColorMix não exige a impressora top de linha. Ele funciona em qualquer máquina multimaterial, e isso cobre dois mundos:

  • Sistemas tipo AMS / MMU. Uma Bambu Lab X1C com AMS ou uma Prusa MK4S com MMU3 já servem. É o cenário mais comum no Brasil. Bico único, então cada troca de cor é um ciclo de purga.
  • Toolchangers. A Prusa XL na versão de 5 cabeças (perfeita pro CMYKW) e a nova CORE One INDX, de 8 cabeças. Trocam de cor sem purgar, mas exigem offset XY preciso entre bicos, senão a cor sai inconsistente na superfície.

Ou seja: se você já tem como carregar 4 ou 5 filamentos numa impressão, o ColorMix é upgrade de software, não de hardware. A Prusa está preparando um kit Prusament CMYKW com opacidade e tons ajustados, mas o método roda com o que você já tem na bancada.

Quanto custa em tempo e desperdício

Aqui aparece o número que press release nenhum mostra. A Tom's Hardware testou na bancada: um 3D Benchy numa Prusa MK4 com MMU3 levou mais de 7 horas e cuspiu uma torre de purga de 66 gramas. A mesma peça numa Prusa XL toolchanger caiu pra 2h46 e só 22 gramas de refugo.

A diferença é o coração do tradeoff. Bico único troca cor cortando filamento, e cada corte vira plástico no lixo. Toolchanger só larga uma cabeça e pega outra. Se você imprime colorido em volume numa MK3S+MMU ou numa X1C, planeje torre de purga e tempo de máquina como parte do custo da peça, não como detalhe.

O que o release não grita: os limites

Todo lançamento de impressão 3D tem um custo escondido, e ignorá-lo é o erro clássico de quem só repassa press release. No ColorMix os pontos cegos são claros, e a própria Prusa admite:

  • Calibração é só Prusament PLA na XL. "Medimos Prusament PLA numa Prusa XL. Só isso", escreveu o engenheiro responsável. Para PETG, ABS ou marcas genéricas, incluindo o filamento barato que a maioria importa, a precisão de cor é desconhecida. Vai ter ajuste fino na unha.
  • Filamentos de efeito vão mal. Bronze, glitter, galaxy e afins quebram o modelo, porque a partícula reflete diferente conforme o ângulo e atrapalha a mistura ótica.
  • Banding aparece, sobretudo em material opaco. A Tom's Hardware notou listras visíveis nas misturas; filamento mais translúcido funde melhor que o opaco.
  • Gradientes e topo do objeto ainda não estão resolvidos. A mistura no plano superior, onde a cor é mais visível, segue como problema em aberto que a Prusa admite estar atacando.
  • Hoje o fluxo ainda é meio manual. Na beta 2.9.6 muita gente roda o FDM Mixer à parte e transfere os valores RGB pro fatiador na mão. A integração "carrega e pinta" é a meta do PrusaSlicer 3.0.
  • Monitor importa. Como você confia no preview, uma tela com cor minimamente calibrada faz diferença no resultado.

Nada disso mata a ferramenta. Só define onde ela brilha hoje: peças decorativas e modelos em PLA, não acabamento de precisão em material técnico. A própria Prusa diz que impressão funcional vai continuar em rolo de cor única.

Por que isso pesa pra quem imprime no Tocantins

Aqui a conta fica interessante. Filamento ainda chega caro ao TO: mesmo com o fim da taxa das blusinhas, frete e prazo de importação não são triviais, e manter um estoque de 20 cores diferentes prende capital numa prateleira.

O ColorMix inverte essa lógica. Em vez de comprar 20 rolos, você mantém cinco (CMYKW) e gera o resto no software. Para quem vive de brinde personalizado, peça de artesanato, miniatura ou item de papelaria criativa em Palmas, Araguaína ou Gurupi, isso é menos dinheiro parado e menos troca de spool no meio da produção.

Pense num cenário concreto: um pequeno estúdio roda uma série de chaveiros e topos de bolo numa Bambu X1C com AMS. Antes, cada paleta nova exigia comprar a cor exata. Agora, cinco rolos cobrem dezenas de combinações, e o orçamento de filamento vira previsível. O custo extra de tempo e purga existe (são horas de máquina), mas para um mercado regional ainda se formando, previsibilidade de paleta vale tanto quanto a novidade técnica.

Perguntas frequentes

Preciso comprar alguma coisa pra usar o ColorMix?

Não. É gratuito e open-source, já dentro do PrusaSlicer 2.9.6 (beta) e do EasyPrint. O único custo opcional é o futuro kit Prusament CMYKW, mas o método roda com filamentos que você já tem.

Funciona na minha Bambu Lab?

Sim, desde que você tenha um AMS pra carregar várias cores. O ColorMix foi pensado pra qualquer impressora multimaterial, o que inclui AMS (Bambu), MMU3 (Prusa) e toolchangers (XL, CORE One INDX).

Quantas cores dá pra fazer mesmo?

Cerca de 40 combinações catalogadas como reproduzíveis, usando proporções de camada de 1

, 1
e 3
(mais 1:1
pra três cores) sobre a base CMYKW: ciano, magenta, amarelo, preto e branco.

Vai gastar muito filamento e tempo?

Depende da impressora. Em testes da Tom's Hardware, um Benchy numa MK4 com MMU3 levou mais de 7 horas e 66 g de purga; numa XL toolchanger, 2h46 e 22 g. Bico único desperdiça mais porque corta filamento a cada troca de cor.

Serve pra qualquer filamento?

O modelo foi calibrado em Prusament PLA. Em PETG, ABS ou marcas genéricas a cor pode sair diferente do preview, e filamentos de efeito (glitter, bronze, galaxy) não funcionam bem.

É a mesma coisa que pintar a peça depois?

Não. A cor nasce na própria impressão, camada a camada, sem pós-processamento. O olho funde as camadas à distância, como acontece numa foto de revista impressa com quatro tintas.

Vai chegar no OrcaSlicer?

A Prusa liberou o código sob licença MIT, com um port C++17 feito pra encaixar em PrusaSlicer ou OrcaSlicer. Tecnicamente nada impede a comunidade portar, e adaptações open-source costumam aparecer rápido.

Onde ir agora

Se você já tem AMS ou MMU, baixe a beta do PrusaSlicer 2.9.6 e teste o ColorMix num PLA simples antes de prometer paleta nova pro cliente. Conte com a torre de purga e o tempo extra de máquina na conta. E se ainda está montando seu setup multicolor ou procurando quem imprime colorido perto de você, comece pelo nosso diretório de makers do Tocantins. É o caminho mais curto entre uma ideia e a peça na mão.

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