Mastrex MX300 mira oficinas como a impressora de metal mais barata do mercado
· 7 min de leitura · 1 visualizações · por Equipe 3D Tocantins
US$ 185 mil por uma impressora ainda soa caro. Mas é cerca de metade do que pede um sistema LPBF tradicional, e foi nessa brecha que a americana Mastrex lançou a MX300 em maio de 2026: dois lasers de 500W, volume de 300 x 300 x 350 mm e a etiqueta de "impressora de metal mais barata da indústria".
A ficha técnica da MX300, sem marketing
A Mastrex, sediada em Nova Jersey (3DPrint.com), anunciou a MX300 em 28 de maio de 2026 por US$ 185.000. Ela usa fusão em leito de pó a laser (LPBF), a mesma família das impressoras de metal de fábrica, em que dois lasers de fibra de 500W fundem pó metálico camada por camada dentro de uma câmara com gás inerte.
O volume de construção é de 300 x 300 x 350 mm. Segundo a 3Dnatives, a taxa de construção chega a 70 cm³ por hora, com diâmetro de feixe ajustável de 50 a 120 mícrons e camadas de 20 a 120 mícrons. Não é número de hobby: é arquitetura pensada para produção.
A lista de materiais é o ponto alto. A máquina roda titânio, aço inoxidável, alumínio, cobalto-cromo, cobre e Inconel, segundo a 3D Printing Industry. São as ligas que aeroespacial, defesa, área médica e odontológica realmente pedem.
A MX300 não vem sozinha. Ela é o topo de uma linha MX, que começa na MX100, uma LPBF de bancada por cerca de US$ 39.000, de acordo com a VoxelMatters. Todas são projetadas, montadas e testadas nos Estados Unidos.
"A impressora de metal mais barata da indústria" não resiste à letra miúda
O marketing da Mastrex chama a MX300 de LPBF mais barata da indústria. Na prática, esse título depende de como você desenha a categoria.
LPBF mais baratas já existem, e por uma fração do preço. A Xact Metal vende a XM200C por US$ 65.000 e a XM200G por US$ 90.000. A startup Scrap Labs colocou a Scrap 1 em pré-venda a partir de US$ 9.600 no kit. Até a própria MX100, da Mastrex, custa menos.
O que a MX300 entrega que essas não entregam é a combinação de volume grande (300 mm), dois lasers de 500W e taxa de produção. Comparada com sistemas LPBF de fábrica, de marcas como EOS, Nikon SLM ou Trumpf, que partem de US$ 250 mil e passam de US$ 1 milhão, ela sai bem mais barata.
A conta de "quanto mais barata" também varia conforme a fonte. A VoxelMatters descreve a linha como cerca de 50% abaixo de sistemas LPBF legados comparáveis. Já a 3Dnatives fala em custo estimado 3 vezes menor que plataformas tradicionais. Os dois números convivem porque "tradicional" e "comparável" não são a mesma referência: depende de contra qual máquina você compara.
A leitura honesta: a MX300 não é a LPBF mais barata que existe. Ela é a mais barata da sua classe, a de produção, com volume e potência de chão de fábrica. É uma distinção que muda quem deveria se interessar.
O que muda quando o metal fica (mais) acessível
Cortar pela metade o preço de entrada de uma LPBF de produção não é detalhe. Muda quem consegue ter metal funcional dentro de casa.
O caso que a própria Mastrex destaca é a Solomon MFG, uma machine shop que está entre as primeiras a adotar o sistema. O CEO Eli Solomon resume o problema antigo: adicionar impressão de metal era proibitivo em custo, e agora a oficina passa a oferecer a capacidade aos clientes atuais, segundo a 3D Printing Industry.
É aí que mora a democratização real. Uma oficina de usinagem que já faz peça sob encomenda ganha a chance de cotar geometria que o CNC não faz: canal interno de refrigeração, treliça leve, peça única em titânio. Sem terceirizar para um service bureau e sem esperar semanas.
Mas acessível não quer dizer simples. LPBF traz uma cauda de custos que a etiqueta de US$ 185 mil esconde: pó metálico reativo (titânio e alumínio exigem manuseio com cuidado de explosão), atmosfera de argônio, remoção de suportes, tratamento térmico para aliviar tensão e, muitas vezes, usinagem de acabamento depois. A máquina é o começo do investimento, não o fim.
Quanto a MX300 custaria no Brasil: a conta da importação
Aqui vem a parte que nenhuma matéria internacional resolve. Em junho de 2026 não existe distribuidor da Mastrex no Brasil. A empresa vende direto dos Estados Unidos pelo site mastrex.com, então comprar significa importar, por conta própria ou via uma trading.
A conta não é só o câmbio. Máquinas de manufatura aditiva entram no Brasil pela posição NCM 8485, e sobre o valor de fábrica incidem Imposto de Importação, IPI, PIS/COFINS na importação (cerca de 11,75%) e o ICMS do estado de destino (no Tocantins, 20%), calculado por dentro. Some frete internacional de um equipamento pesado, seguro, AFRMM e despachante.
Vamos colocar número, com a premissa explícita de dólar na casa de R$ 5,50. O valor de fábrica de US$ 185 mil já vira cerca de R$ 1,0 milhão. Somados tributos, frete e despacho, um bem de capital desse porte costuma chegar custando de 1,4 a 1,7 vez o valor de fábrica. Na ponta, isso coloca a MX300 na faixa de R$ 1,4 milhão a R$ 1,7 milhão posta na porta da oficina. É estimativa, não cotação: o número final depende do câmbio do dia, do estado e de conseguir ou não um ex-tarifário, que zera o Imposto de Importação para máquina sem similar nacional e pode derrubar bastante a conta.
Há ainda o custo que não aparece na nota: garantia e assistência. Uma startup americana sem braço no Brasil significa suporte remoto, peça de reposição vinda de fora e, no pior caso, técnico embarcando dos EUA para recalibrar. Para uma oficina no interior, downtime de uma máquina de R$ 1,5 milhão pesa mais que o preço de etiqueta.
Para quem faz sentido (e para quem ainda não)
Para o maker de fim de semana, a MX300 segue fora de alcance, e tudo bem: ela nunca foi para isso. Quem quer experimentar metal em casa olha para FDM com filamento metálico ou para as LPBF de bancada que estão surgindo, não para um sistema de R$ 1,5 milhão.
Para a oficina certa, a conta fecha. Uma machine shop que já fatura com usinagem de precisão, um fornecedor de implante odontológico ou ortopédico, uma empresa que atende aeroespacial ou defesa: para esses, a MX300 troca um custo proibitivo por um caro porém viável.
No Tocantins, o público que isso atinge hoje é estreito, concentrado em poucas oficinas de usinagem e laboratórios que já trabalham com metal sob encomenda. Mas a direção importa: cada corte de preço como esse aproxima a impressão de metal de quem antes só conseguia terceirizar fora do estado. A MX300 não democratiza o metal para o hobbista. Ela democratiza para o pequeno fabricante, e essa já é uma mudança grande.
Perguntas frequentes
A Mastrex MX300 é mesmo a impressora de metal mais barata?
Não no sentido literal. Existem LPBF bem mais baratas, como a Xact Metal XM200C (US$ 65 mil), a Scrap 1 (a partir de US$ 9,6 mil no kit) e a própria MX100 da Mastrex (US$ 39 mil). A MX300 é a mais barata da sua classe, a de produção, com volume de 300 mm e dois lasers de 500W.
Que metais a MX300 imprime?
Titânio, aço inoxidável, alumínio, cobalto-cromo, cobre e Inconel, segundo a Mastrex. São as ligas usadas em aeroespacial, defesa, área médica e odontológica.
Dá para usar a MX300 como hobby, em casa?
Não. Além do preço, LPBF exige manuseio de pó metálico reativo, atmosfera de argônio, pós-processamento e tratamento térmico. É um equipamento de oficina e indústria, não de bancada doméstica.
Quanto custaria importar a MX300 para o Brasil?
Não há distribuidor nacional. Importando direto, com dólar em torno de R$ 5,50 e somando tributos, frete e despacho, a estimativa fica na faixa de R$ 1,4 milhão a R$ 1,7 milhão posta na oficina. Um ex-tarifário pode reduzir a conta.
Qual a diferença entre LPBF e a impressão 3D que eu já conheço?
FDM derrete filamento e a resina cura líquido com luz. LPBF funde pó de metal com laser, camada por camada, entregando peça metálica funcional de verdade, com densidade próxima da peça usinada.
A impressão de metal substitui a usinagem CNC?
Não substitui, complementa. A LPBF resolve geometria complexa e canal interno que o CNC não alcança, mas a peça quase sempre ainda passa por tratamento térmico e, com frequência, por usinagem de acabamento.
Onde ir agora
Se você avalia trazer metal para dentro da sua operação, comece entendendo a tecnologia antes do orçamento. Veja nosso guia de impressão 3D e materiais no Conhecimento 3D Tocantins e mapeie qual processo, FDM, resina ou metal, resolve o que a sua oficina precisa hoje.
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