TPU sem dor de cabeça: ajustes pra flexível não falhar
· 6 min de leitura · por Equipe 3D Tocantins
O filamento flexível não falha no bico. Ele dobra antes de chegar lá. TPU é mole feito borracha, e empurrar TPU pela engrenagem do extrusor é igual empurrar corda pela ponta: ela verga de lado e enrola na polia em vez de descer pro hotend. Resolver isso é menos sobre temperatura e mais sobre como o filamento é segurado e empurrado.
A boa notícia: dá pra imprimir TPU em quase qualquer FDM. Quase todo entupimento e peça torta vem de quatro ajustes esquecidos: tensão do idler, velocidade, retração e secagem. Abaixo, o que as fontes técnicas recomendam, com número.
Por que o TPU dobra antes de chegar no bico
O extrusor empurra o filamento por um caminho. Com PLA ou ABS, que são rígidos, qualquer folga nesse caminho não importa: o material é duro o bastante pra seguir reto até o bico. Com flexível, não. A MatterHackers descreve bem: imprimir flexível "é como tentar guiar uma ponta da corda empurrando a outra" (MatterHackers).
Onde houver espaço livre depois da engrenagem, o TPU escapa pro lado e enrola na polia. Isso é o buckling. Em extrusores antigos, de caminho aberto, o fio mole sai cuspido pela lateral quase na hora. Nos novos, de caminho restrito (constrained filament path), a folga é mínima e o problema some.
Quanto mais curto e fechado o trajeto entre engrenagem e bico, menos chance a corda tem de vergar. Cada ajuste abaixo ataca a mesma coisa: a pressão e a folga que fazem o TPU dobrar.
Extrusor direto ganha do bowden, mas bowden também imprime
Extrusor direto (direct drive) põe a engrenagem logo antes do hotend. Quase não sobra trajeto pro filamento vergar, então ele aceita TPU com bem menos manha. Por isso é a recomendação padrão pra flexível.
Bowden, com o tubo longo entre motor e bico, é o cenário clássico de buckling: o TPU comprime dentro do tubo, a engrenagem rala um chanfro no fio e a extrusão para no meio da peça. Ainda assim imprime. A MatterHackers desmonta o mito de que bowden não encara flexível, desde que o tubo esteja bem preso, sem folga, e a velocidade caia.
A diferença aparece no teto de velocidade. Segundo o NozzleNerd, bowden trabalha bem com paredes a 15-20 mm/s, enquanto direct drive sobe pra 25-35 mm/s. Na prática, direct drive dá quase o dobro de margem.
Afrouxe o idler até a engrenagem mal segurar
Esse é o ajuste que mais resolve e o que mais gente esquece. O idler é a mola (ou parafuso) que pressiona o filamento contra a engrenagem tracionadora. Pra PLA, aperto firme ajuda a agarrar. Pra TPU, aperto firme estraga.
O guia da Prusa é direto: afrouxe o idler pra que as engrenagens empurrem o filamento só de leve (Prusa). Apertado demais, a engrenagem amassa o TPU mole, deixa ele oval, e esse oval trava na garganta (heat break). Frouxo demais, a engrenagem patina e não puxa. O ponto certo é afrouxar até a engrenagem mal segurar o filamento, sem deformar.
Calibre isso antes de qualquer outra coisa: idler no aperto de PLA é a causa número um de TPU ralado e de extrusão que para sozinha.
Devagar: 20 a 30 mm/s e retração curtíssima
Velocidade alta exige torque alto pra vencer a pressão no bico, e é aí que o flexível verga em vez de descer. Por isso TPU é impressão lenta. O guia da Prusa coloca número: a velocidade típica pra flexíveis costuma ser 20 mm/s, e a máxima recomendada fica entre 30 e 40 mm/s (Prusa). A MatterHackers reforça que o limite varia por máquina: tem impressora que só vai bem a 10 mm/s, outra mais robusta encara 60 mm/s sem mexer em nada.
Comece em 20-25 mm/s nas paredes e suba aos poucos até achar o teto da sua máquina.
Retração é o outro vilão. Retração longa puxa o TPU mole pra trás, ele acumula e empena dentro do extrusor. Por isso flexível pede retração curta. O NozzleNerd sugere 0,5 a 1,5 mm em direct drive e 2 a 4 mm em bowden, bem abaixo dos 4 a 6 mm que o PLA usa em bowden. A MatterHackers vai além: em extrusor antigo, desligue a retração de vez. Você ganha alguns fios de teia entre as peças, mas evita o embolamento que para a impressão.
Seca o filamento, senão estoura no bico
TPU é higroscópico: puxa água do ar rápido. No bico quente, essa água vira vapor na hora e estoura, dando chiado de fritura, bolhas, fios de teia e superfície rugosa. Pior: a água quebra as cadeias do polímero (hidrólise) e a peça sai mais fraca, mesmo parecendo ok.
A receita da MatterHackers é secar a 135°F (cerca de 57°C) por seis horas num forno comum, depois desligar e deixar esfriar (MatterHackers). A Snapmaker trabalha numa faixa de 40 a 65°C, por 6 a 8 horas (Snapmaker). Não passe muito disso: TPU amolece com calor e pode fundir os anéis do carretel.
Depois de seco, o TPU rebebe umidade assim que sai do secador. Guarde em pote fechado com sílica, mirando umidade relativa abaixo de 50% (o ideal é 10% a 30%). No período chuvoso a umidade sobe e esse cuidado pesa mais: um carretel esquecido aberto numa tarde já volta a chiar.
Temperatura e primeira camada: o resto do ajuste
Com idler, velocidade, retração e secagem resolvidos, sobra o básico. A MatterHackers sugere começar a 235°C e ajustar de 5 em 5°C, até no máximo uns 255°C (MatterHackers). Temperatura alta demais dá fios de teia. Baixa demais dá camada que não cola e descasca na mão.
Na primeira camada, TPU gruda bem em fita crepe azul (mesa a 55-65°C) ou em vidro com cola bastão de PVA. Deixe um Z-offset com uma esmagadinha na primeira linha, porque flexível precisa de mais torque pra começar a fluir. Uma linha de purga no início garante o bico cheio quando a peça começa.
Um detalhe que pega muita gente: como os e-steps são calibrados com PLA, a MatterHackers nota que o TPU às vezes pede um multiplicador de extrusão maior, na faixa de 125%, pra não sair sub-extrudado.
Quanto custa TPU no Brasil
Boa parte do TPU vendido aqui é 95A, a dureza Shore mais comum e a mais fácil de imprimir. Graus mais moles (abaixo de 90A) flexionam mais, mas vergam mais fácil no extrusor, então não comece por eles.
Preço de carretel de 1 kg, 95A, em loja nacional, em junho de 2026: a Voolt3D vende o TPU 95A da Elegoo por R$ 199,99, com desconto saindo a R$ 136,74 e R$ 129,90 no Pix (Voolt3D). A 3D Fila, que fabrica em Belo Horizonte, cobra R$ 147,90 no Pix pelo TPU Flex 95A (3D Fila). Como tem produção e estoque nacional, dá pra comprar sem encarar importação nem ICMS de fora.
Se você imprime TPU de vez em quando, um pote fechado com sílica paga sozinho: o gasto é baixo perto de um carretel perdido pra umidade.
Perguntas frequentes
Dá pra imprimir TPU em impressora bowden?
Dá. A MatterHackers confirma que bowden imprime flexível, desde que o tubo esteja bem preso sem folga, a velocidade caia pra faixa de 15-20 mm/s e a retração seja curta ou desligada.
Qual a melhor velocidade pra TPU?
A Prusa indica 20 mm/s como típico e 30 a 40 mm/s como máximo. Comece em 20-25 mm/s nas paredes e suba aos poucos só se a peça sair limpa.
Preciso secar o TPU mesmo sendo novo?
Sim, se ele chiar ou borbulhar no bico. TPU absorve água do ar mesmo lacrado mal guardado. Seque a uns 55-60°C por 6 a 8 horas e guarde com sílica.
Por que meu TPU enrola na engrenagem do extrusor?
Quase sempre é idler apertado demais, velocidade alta ou retração longa. Afrouxe o idler até a engrenagem mal segurar, baixe pra 20-30 mm/s e encurte a retração.
TPU 95A ou mais mole?
Comece no 95A. É o mais fácil de empurrar sem vergar. Graus abaixo de 90A são mais elásticos, mas exigem extrusor direto e bem mais paciência.
Onde ir agora
Calibra um ajuste por vez: idler, depois velocidade, retração e secagem. Mudar tudo junto esconde qual resolveu. Imprime uma gasket de teste a 20 mm/s antes da peça final.
Mais guias práticos de impressão 3D estão no blog do 3D Tocantins. Achou útil? Manda pra quem vive dizendo que TPU não imprime na máquina dele.
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