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Consultorio odontologico moderno com cadeira e equipamentos digitais, cenario do fluxo de escaneamento intraoral. Foto de Benyamin Bohlouli via Unsplash.
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Eagle Scan: scanner intraoral 100% brasileiro chega a 500 unidades do SUS

· 7 min de leitura · 2 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Em vez do molde de gesso que escorre na boca, um bastão de 119 gramas varre a arcada inteira em 59 segundos e manda o arquivo direto para a impressora 3D. Esse é o Eagle Scan, da Dabi Atlante, e o Ministério da Saúde vai colocar 500 unidades dele no SUS, em todos os estados e no Distrito Federal.

O que é o Eagle Scan e por que ele interessa a quem fabrica

O Eagle Scan é um scanner intraoral, um aparelho de mão que fotografa o interior da boca em três dimensões. Ele foi criado pela Dabi Atlante, marca da fabricante Alliage, e é descrito pela empresa como o primeiro scanner intraoral 100% produzido no Brasil, segundo a Saúde Digital News.

A novidade não é só odontológica. O scanner troca a moldagem tradicional por um modelo digital com precisão milimétrica, que segue direto para softwares de planejamento e impressoras 3D. Em outras palavras, é a ponta de entrada de um fluxo de fabricação digital: digitaliza, modela e imprime.

"Conseguimos transformar um processo que antes exigia moldagens desconfortáveis, várias etapas clínicas e longos períodos de espera em um fluxo muito mais rápido, preciso e confortável", afirmou Marco Candolo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Alliage, à Saúde Digital News.

Do escaneamento à prótese: o fluxo digital por trás do aparelho

Para quem já lida com impressão 3D e modelagem, o Eagle Scan é basicamente um scanner 3D especializado em boca. Ele usa um sensor CMOS com tecnologia confocal de LED e captura a 30 quadros por segundo, gerando uma malha que sai em formatos abertos como STL, PLY e OBJ, segundo a página do produto da Dabi Atlante.

Esses são exatamente os arquivos que qualquer maker reconhece. Um STL da arcada entra no software de planejamento, vira o desenho da prótese, da coroa ou do alinhador, e desce para a impressora 3D de resina. O gesso, o transporte do molde e a espera pelo laboratório saem da conta.

O recurso que a Dabi chama de FLOW AI é uma camada de inteligência artificial que ignora automaticamente língua, bochechas e até dedos durante a captura, priorizando só os dentes e a gengiva. É o que permite fechar a arcada completa em menos de um minuto.

O detalhe que o anúncio não destaca: o ganho de tempo na cadeira não elimina o resto da cadeia. Alguém ainda precisa fatiar o modelo, calibrar a impressora de resina, pós-curar a peça e conferir o encaixe. O scanner acelera a captura, não a fabricação inteira.

Os 500 aparelhos no SUS: onde estão e o que vem nos kits

O número que chama atenção é a escala pública. Ao todo, 500 unidades serão destinadas a atendimentos odontológicos do SUS em todos os estados e no Distrito Federal, em kits de odontologia digital voltados a 350 cidades, segundo a Saúde Digital News.

E não vai só o scanner. Os kits distribuídos pelo Ministério da Saúde incluem impressoras 3D, computadores e os materiais usados nos procedimentos digitais. É o pacote completo de fabricação digital chegando à rede pública.

O rollout ainda está no começo. Pela reportagem, 12 equipamentos já estão em funcionamento no país: 10 no Rio de Janeiro e dois em Uberlândia, em Minas Gerais. Os outros estados entram na medida em que a distribuição avança.

Vale o registro regional honesto: nenhuma das 12 primeiras unidades está no Tocantins por enquanto. Mas, como a meta cobre todos os estados e o DF, clínicas públicas daqui devem receber os kits ao longo do programa, levando impressão 3D odontológica para perto de quem hoje depende de laboratório em outra cidade.

A indústria por trás: Alliage, de Ribeirão Preto para o mundo

A Dabi Atlante pertence à Alliage, fabricante de equipamentos odontológicos sediada em Ribeirão Preto, em São Paulo. A empresa foi fundada em 1946, fatura cerca de R$ 600 milhões por ano e detém perto de 70% do mercado brasileiro, segundo a Exame.

Cerca de 40% da receita já vem do exterior, e o Eagle Scan também é vendido na Argentina e nos Estados Unidos. Produzir o aparelho no Brasil, em vez de importar, é o argumento central da empresa para a rede pública.

"O Eagle Scan permite uma assistência técnica mais eficiente, com cobertura no país e suporte direto da fábrica, reduzindo tempo de resposta", disse Mateus Taveira, gerente global de Customer Experience da Alliage, à Saúde Digital News. Domínio sobre hardware, software e peças é o tipo de coisa que pesa quando o equipamento quebra longe dos grandes centros.

Especificações que pesam na decisão

ItemEagle Scan
Peso119 g
Escaneamento da arcada59 segundos
SensorCMOS confocal de LED, 30 fps
Inteligência artificialFLOW AI (ignora língua, bochecha e dedos)
Pontaautoclavável, até 250 ciclos
Conexãocabo USB 3.0 único e removível
Formatos de arquivoSTL, PLY, OBJ
Softwarelicença inclusa, sem taxa anual
Requisito de PCWindows 11, Intel i7 ou i9 (13a ou 14a geração), 16 GB de RAM, GPU NVIDIA RTX 4060

Fonte das especificações: página oficial do Eagle Scan.

Repare na última linha. O requisito de computador é parrudo: sem GPU dedicada e processador recente, o software não roda bem. Quem for montar o fluxo precisa orçar a máquina junto com o scanner, não só o aparelho.

Quanto custa e como conseguir um no Brasil

Aqui está a parte que o folder não responde direto. A Dabi Atlante não publica o preço do Eagle Scan em tabela: a compra é por orçamento, feita com distribuidores autorizados da marca. Scanners intraorais desse nível costumam custar na casa das dezenas de milhares de reais, e o modelo anterior da fabricante, o Eagle IOS, já era vendido por distribuidores nessa faixa.

Sobre o "primeiro": a própria Dabi já chamava o Eagle IOS de primeiro scanner intraoral produzido no Brasil em seu canal oficial. O Eagle Scan é a geração nova, que a empresa descreve como 100% nacional. Trate o "primeiro 100% brasileiro" como o posicionamento do fabricante, não como um marco isolado.

Para o SUS, a lógica muda: o dentista da rede pública não compra o aparelho. As 500 unidades chegam via Ministério da Saúde, dentro dos kits, sem custo para o município. Quem precisa decidir compra é a clínica privada.

Antes de fechar, três contas entram na conversa: o scanner em si, o computador que atende ao requisito mínimo e a impressora 3D de resina com os materiais. A vantagem brasileira fica na assistência: peça e suporte saem da fábrica em Ribeirão Preto, sem a espera de importação que deixa um scanner estrangeiro parado.

Perguntas frequentes

O Eagle Scan é mesmo o primeiro scanner intraoral brasileiro?

A Dabi Atlante o apresenta como o primeiro scanner intraoral 100% produzido no Brasil. Vale lembrar que a empresa já usava chamada parecida para o modelo anterior, o Eagle IOS. O ponto sólido é que o aparelho é fabricado no país, e não importado.

Quanto tempo leva para escanear a boca?

O fabricante informa 59 segundos para a arcada completa, com captura a 30 quadros por segundo e a IA FLOW AI descartando língua, bochecha e dedos durante o registro.

Já dá para usar o Eagle Scan pelo SUS no Tocantins?

Ainda não há unidade confirmada no estado. As 12 primeiras estão no Rio de Janeiro (10) e em Uberlândia, MG (2). Como o programa prevê 500 aparelhos em todos os estados e no DF, o Tocantins entra ao longo da distribuição.

O que é impresso em 3D a partir do escaneamento?

O modelo digital alimenta softwares de planejamento e impressoras 3D para produzir próteses, coroas e estruturas restauradoras, substituindo o molde de gesso e o envio ao laboratório.

Preciso de um computador potente para rodar o scanner?

Sim. A Dabi recomenda Windows 11, processador Intel i7 ou i9 de 13a ou 14a geração, 16 GB de RAM e placa de vídeo NVIDIA RTX 4060. É um requisito de estação de trabalho, não de notebook básico.

Quanto custa o Eagle Scan?

O preço não é divulgado em tabela: a venda é por orçamento com distribuidores autorizados Dabi Atlante. No SUS, as unidades são distribuídas pelo Ministério da Saúde, sem compra pelo dentista da rede pública.

Onde ir agora

Se a parte que te interessa é o fim do fluxo, transformar um arquivo STL em peça impressa, vale entender a impressão 3D de resina antes de pensar em scanner. Veja os conteúdos de impressão 3D no Conhecimento 3D Tocantins e acompanhe como o escaneamento e a impressão estão chegando à saúde pública do estado.

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