Eagle Scan: scanner intraoral 100% brasileiro chega a 500 unidades do SUS
· 7 min de leitura · 2 visualizações · por Equipe 3D Tocantins
Em vez do molde de gesso que escorre na boca, um bastão de 119 gramas varre a arcada inteira em 59 segundos e manda o arquivo direto para a impressora 3D. Esse é o Eagle Scan, da Dabi Atlante, e o Ministério da Saúde vai colocar 500 unidades dele no SUS, em todos os estados e no Distrito Federal.
O que é o Eagle Scan e por que ele interessa a quem fabrica
O Eagle Scan é um scanner intraoral, um aparelho de mão que fotografa o interior da boca em três dimensões. Ele foi criado pela Dabi Atlante, marca da fabricante Alliage, e é descrito pela empresa como o primeiro scanner intraoral 100% produzido no Brasil, segundo a Saúde Digital News.
A novidade não é só odontológica. O scanner troca a moldagem tradicional por um modelo digital com precisão milimétrica, que segue direto para softwares de planejamento e impressoras 3D. Em outras palavras, é a ponta de entrada de um fluxo de fabricação digital: digitaliza, modela e imprime.
"Conseguimos transformar um processo que antes exigia moldagens desconfortáveis, várias etapas clínicas e longos períodos de espera em um fluxo muito mais rápido, preciso e confortável", afirmou Marco Candolo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Alliage, à Saúde Digital News.
Do escaneamento à prótese: o fluxo digital por trás do aparelho
Para quem já lida com impressão 3D e modelagem, o Eagle Scan é basicamente um scanner 3D especializado em boca. Ele usa um sensor CMOS com tecnologia confocal de LED e captura a 30 quadros por segundo, gerando uma malha que sai em formatos abertos como STL, PLY e OBJ, segundo a página do produto da Dabi Atlante.
Esses são exatamente os arquivos que qualquer maker reconhece. Um STL da arcada entra no software de planejamento, vira o desenho da prótese, da coroa ou do alinhador, e desce para a impressora 3D de resina. O gesso, o transporte do molde e a espera pelo laboratório saem da conta.
O recurso que a Dabi chama de FLOW AI é uma camada de inteligência artificial que ignora automaticamente língua, bochechas e até dedos durante a captura, priorizando só os dentes e a gengiva. É o que permite fechar a arcada completa em menos de um minuto.
O detalhe que o anúncio não destaca: o ganho de tempo na cadeira não elimina o resto da cadeia. Alguém ainda precisa fatiar o modelo, calibrar a impressora de resina, pós-curar a peça e conferir o encaixe. O scanner acelera a captura, não a fabricação inteira.
Os 500 aparelhos no SUS: onde estão e o que vem nos kits
O número que chama atenção é a escala pública. Ao todo, 500 unidades serão destinadas a atendimentos odontológicos do SUS em todos os estados e no Distrito Federal, em kits de odontologia digital voltados a 350 cidades, segundo a Saúde Digital News.
E não vai só o scanner. Os kits distribuídos pelo Ministério da Saúde incluem impressoras 3D, computadores e os materiais usados nos procedimentos digitais. É o pacote completo de fabricação digital chegando à rede pública.
O rollout ainda está no começo. Pela reportagem, 12 equipamentos já estão em funcionamento no país: 10 no Rio de Janeiro e dois em Uberlândia, em Minas Gerais. Os outros estados entram na medida em que a distribuição avança.
Vale o registro regional honesto: nenhuma das 12 primeiras unidades está no Tocantins por enquanto. Mas, como a meta cobre todos os estados e o DF, clínicas públicas daqui devem receber os kits ao longo do programa, levando impressão 3D odontológica para perto de quem hoje depende de laboratório em outra cidade.
A indústria por trás: Alliage, de Ribeirão Preto para o mundo
A Dabi Atlante pertence à Alliage, fabricante de equipamentos odontológicos sediada em Ribeirão Preto, em São Paulo. A empresa foi fundada em 1946, fatura cerca de R$ 600 milhões por ano e detém perto de 70% do mercado brasileiro, segundo a Exame.
Cerca de 40% da receita já vem do exterior, e o Eagle Scan também é vendido na Argentina e nos Estados Unidos. Produzir o aparelho no Brasil, em vez de importar, é o argumento central da empresa para a rede pública.
"O Eagle Scan permite uma assistência técnica mais eficiente, com cobertura no país e suporte direto da fábrica, reduzindo tempo de resposta", disse Mateus Taveira, gerente global de Customer Experience da Alliage, à Saúde Digital News. Domínio sobre hardware, software e peças é o tipo de coisa que pesa quando o equipamento quebra longe dos grandes centros.
Especificações que pesam na decisão
| Item | Eagle Scan |
|---|---|
| Peso | 119 g |
| Escaneamento da arcada | 59 segundos |
| Sensor | CMOS confocal de LED, 30 fps |
| Inteligência artificial | FLOW AI (ignora língua, bochecha e dedos) |
| Ponta | autoclavável, até 250 ciclos |
| Conexão | cabo USB 3.0 único e removível |
| Formatos de arquivo | STL, PLY, OBJ |
| Software | licença inclusa, sem taxa anual |
| Requisito de PC | Windows 11, Intel i7 ou i9 (13a ou 14a geração), 16 GB de RAM, GPU NVIDIA RTX 4060 |
Fonte das especificações: página oficial do Eagle Scan.
Repare na última linha. O requisito de computador é parrudo: sem GPU dedicada e processador recente, o software não roda bem. Quem for montar o fluxo precisa orçar a máquina junto com o scanner, não só o aparelho.
Quanto custa e como conseguir um no Brasil
Aqui está a parte que o folder não responde direto. A Dabi Atlante não publica o preço do Eagle Scan em tabela: a compra é por orçamento, feita com distribuidores autorizados da marca. Scanners intraorais desse nível costumam custar na casa das dezenas de milhares de reais, e o modelo anterior da fabricante, o Eagle IOS, já era vendido por distribuidores nessa faixa.
Sobre o "primeiro": a própria Dabi já chamava o Eagle IOS de primeiro scanner intraoral produzido no Brasil em seu canal oficial. O Eagle Scan é a geração nova, que a empresa descreve como 100% nacional. Trate o "primeiro 100% brasileiro" como o posicionamento do fabricante, não como um marco isolado.
Para o SUS, a lógica muda: o dentista da rede pública não compra o aparelho. As 500 unidades chegam via Ministério da Saúde, dentro dos kits, sem custo para o município. Quem precisa decidir compra é a clínica privada.
Antes de fechar, três contas entram na conversa: o scanner em si, o computador que atende ao requisito mínimo e a impressora 3D de resina com os materiais. A vantagem brasileira fica na assistência: peça e suporte saem da fábrica em Ribeirão Preto, sem a espera de importação que deixa um scanner estrangeiro parado.
Perguntas frequentes
O Eagle Scan é mesmo o primeiro scanner intraoral brasileiro?
A Dabi Atlante o apresenta como o primeiro scanner intraoral 100% produzido no Brasil. Vale lembrar que a empresa já usava chamada parecida para o modelo anterior, o Eagle IOS. O ponto sólido é que o aparelho é fabricado no país, e não importado.
Quanto tempo leva para escanear a boca?
O fabricante informa 59 segundos para a arcada completa, com captura a 30 quadros por segundo e a IA FLOW AI descartando língua, bochecha e dedos durante o registro.
Já dá para usar o Eagle Scan pelo SUS no Tocantins?
Ainda não há unidade confirmada no estado. As 12 primeiras estão no Rio de Janeiro (10) e em Uberlândia, MG (2). Como o programa prevê 500 aparelhos em todos os estados e no DF, o Tocantins entra ao longo da distribuição.
O que é impresso em 3D a partir do escaneamento?
O modelo digital alimenta softwares de planejamento e impressoras 3D para produzir próteses, coroas e estruturas restauradoras, substituindo o molde de gesso e o envio ao laboratório.
Preciso de um computador potente para rodar o scanner?
Sim. A Dabi recomenda Windows 11, processador Intel i7 ou i9 de 13a ou 14a geração, 16 GB de RAM e placa de vídeo NVIDIA RTX 4060. É um requisito de estação de trabalho, não de notebook básico.
Quanto custa o Eagle Scan?
O preço não é divulgado em tabela: a venda é por orçamento com distribuidores autorizados Dabi Atlante. No SUS, as unidades são distribuídas pelo Ministério da Saúde, sem compra pelo dentista da rede pública.
Onde ir agora
Se a parte que te interessa é o fim do fluxo, transformar um arquivo STL em peça impressa, vale entender a impressão 3D de resina antes de pensar em scanner. Veja os conteúdos de impressão 3D no Conhecimento 3D Tocantins e acompanhe como o escaneamento e a impressão estão chegando à saúde pública do estado.
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